Sou
alguém com pouco mais de trinta, que não percebeu o tempo passar e todas as
vezes que minha mãe ia a padaria pedia para que ela trouxesse o pão que falava igual oque eu via no comercial de margarina e ela para minha tristeza sempre
dizia, amanhã eu compro. Mas amanhã mãe? quando é amanhã? hoje é amanhã mãe?
-Não minha filha, amanhã é amanhã, e isto só confundia minha cabecinha,
lembro-me da minha melissinha nova com cheirinho de tuti frute que minha mãe
havia comprado para ir ao jardim de infância e nem ainda havia usado e já se
perdera um lado! sabe-se lá aonde!e eu com lágrimas procurei sem jamais encontrar, também com
lágrimas e medo fui deixada naquele lugar sozinha, e longe via minha mãe
de costas indo embora e gritava com toda a força da minha alma, não me deixa
mãe, não me deixa! por favor me leva! E ela parecia não ouvi ou fingia e de
perfil pude vê-la chorando ao me deixar. E aquela pessêssora malvada dizia:
cala boca menina se não a cuca vem te pegar, quá quá quá qua... o meu medo não
era da tal cuca! meu medo era que aquela que eu mais amava na minha vida não
voltasse para me pegar!Eu lembro de tanta coisa, lembro do tiro que a minha
tia levou e só eu e minha irmã tínhamos visto, aquele homem com a caixa
de presente nas mãos me disse que era chocolate para minha tia, e eu toda feliz
fui chama-la, e quando ele abriu o embrulho de laço vermelho oque eu vi foi uma arma disparada em direção a minha Maria, e tudo que ficou para trás foi um
lado da havaiana azul que soltou do seu pé enquanto apressado fugia, Mas
ninguém nos perguntava nada, eu sabia
quem era aquele homem, eu vi tudo! Mas ninguém acreditaria em uma menina de cinco
anos ah! se eles tivessem me ouvido! eu diria.
Eu gostava do janelão da minha casa quando acordava ao som de Tim Maia (leva) e do janelão via e sentia o cheiro do mar cheio e bonito , lembro do barulho dos passarinhos e do cheirinho doce que tinham as minhas manhãs,
eu amava aquela casa, tudo ali era feliz, barulho de criança, minha infância, minha inocência e o meu maior desejo depois que sair de lá era de ter voltado! nossa família grande, eramos nove irmãos que sentávamos ao chão com as xícaras entre as pernas para tomar o nosso café da manhã! nossa que bagunça gostosa! eu só não sabia que um dia aquilo iria acabar, que nunca mais nos reuniríamos outras vezes, que aquela família iria se desfazer em um único dia e que terrível dia! só restando esta doce lembrança.
Eu gostava do janelão da minha casa quando acordava ao som de Tim Maia (leva) e do janelão via e sentia o cheiro do mar cheio e bonito , lembro do barulho dos passarinhos e do cheirinho doce que tinham as minhas manhãs,
eu amava aquela casa, tudo ali era feliz, barulho de criança, minha infância, minha inocência e o meu maior desejo depois que sair de lá era de ter voltado! nossa família grande, eramos nove irmãos que sentávamos ao chão com as xícaras entre as pernas para tomar o nosso café da manhã! nossa que bagunça gostosa! eu só não sabia que um dia aquilo iria acabar, que nunca mais nos reuniríamos outras vezes, que aquela família iria se desfazer em um único dia e que terrível dia! só restando esta doce lembrança.

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